Monografia vinculada à Rede FitoAmazônia investiga compostos químicos de espécie amazônica

A estudante Larissa de Jesus Façanha, do curso de Bacharelado em Química da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), defendeu a monografia “Isolamento e caracterização de alcaloides aporfinoides de frações enriquecidas da fase alcaloídica obtida por tratamento ácido–base do extrato metanólico das cascas de Duguetia surinamensis R. E. Fries (Annonaceae)”. O trabalho foi orientado pelo professor Dr. Emmanoel Vilaça Costa, docente do Departamento de Química da UFAM e pesquisador da Rede FitoAmazônia.

A pesquisa integra as ações da Rede FitoAmazônia, iniciativa que reúne pesquisadores de diferentes instituições brasileiras para investigar a biodiversidade amazônica e impulsionar o desenvolvimento de bioprodutos com potencial de aplicação em saúde, inovação e sustentabilidade.

O orientador professor Emmanuel Vilaça, a pesquisadora Larissa Façanha e os membros da banca

O estudo teve como objetivo investigar frações enriquecidas da fase alcaloídica obtida por tratamento ácido-base do extrato metanólico das cascas de Duguetia surinamensis, espécie da família Annonaceae reconhecida pela produção de metabólitos especializados, especialmente alcaloides aporfinoides. Esses compostos despertam interesse da Química de Produtos Naturais devido ao seu potencial biológico e às possibilidades de aplicação em pesquisas farmacológicas.

Para o isolamento e a purificação dos constituintes químicos, foram realizados sucessivos fracionamentos cromatográficos por cromatografia em camada delgada preparativa (CCDP). A caracterização estrutural dos compostos foi realizada por meio de espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear (RMN de <sup>1</sup>H e <sup>13</sup>C) e Espectrometria de Massas (EM).

As análises permitiram identificar os alcaloides aporfinoides 11-metoxiduguesuramina, dicentrinona e duguetina N-óxido, além do composto fenólico seringato de metila. Entre os resultados mais relevantes, destaca-se a identificação do seringato de metila pela primeira vez em Duguetia surinamensis, ampliando o conhecimento científico sobre a composição química da espécie.

De forma simples, a pesquisa ajuda a descobrir quais moléculas a planta produz naturalmente e quais delas podem ter potencial para futuras aplicações. Esse conhecimento é um passo importante para transformar a biodiversidade amazônica em fonte de inovação científica, contribuindo para o desenvolvimento de novos medicamentos, bioprodutos e tecnologias baseadas em recursos naturais.