Pesquisadores do grupo Fitoamazônia desenvolveram um método sustentável para produzir nanopartículas de prata a partir da própolis vermelha da Amazônia. O estudo foi publicado na revista Food and Bioproducts Processing com o título Brazilian Amazon red propolis as a sustainable resource for the green synthesis of antibacterial silver nanoparticles.

A pesquisa foi realizada por Roberto Pereira Santos, Jaqueline Daniele Santos Barros, Euzinete Borges Pereira, Karla Gabriela Mota de Oliveira, Gabriel Sousa Brito, Fernanda Farias Costa, Queli Cristina Fidelis, Aramys Silva Reis, Carlos Alexandre Holanda e Richard Pereira Dutra e pode ser acessado no link: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0168165625001427.
Segundo o artigo, o uso da própolis amazônica permite uma “síntese verde” — um processo que dispensa produtos químicos tóxicos, reduz custos e impactos ambientais. Essa técnica também pode ajudar no desenvolvimento de novos agentes antimicrobianos, em um cenário de aumento da resistência bacteriana aos antibióticos.
De forma simples, isso significa que os pesquisadores conseguiram produzir as nanopartículas de prata usando a própolis da Amazônia como substituta de produtos químicos tóxicos. Ou seja, o próprio extrato natural da própolis foi capaz de transformar a prata em partículas muito pequenas, com propriedades antibacterianas, sem causar poluição nem riscos ao meio ambiente.
Além disso, esse método sustentável pode ajudar na criação de novos remédios contra bactérias, o que é especialmente importante hoje, quando muitos antibióticos já não funcionam bem devido à resistência bacteriana.
Do ponto de vista metodológico, os cientistas utilizaram um extrato hidroalcoólico da própolis vermelha e o dividiram em frações para identificar os compostos com maior potencial biológico. Foram encontrados flavonoides e compostos fenólicos, como calicosina, liquiritigenina, isoliquiritigenina e formononetina, que ajudam na formação e na estabilidade das nanopartículas.
Os flavonoides e compostos fenólicos são substâncias naturais encontradas em plantas — e também na própolis, que as abelhas produzem a partir de resinas vegetais. Esses compostos funcionam como antioxidantes, ajudando a proteger as células contra danos e tendo efeitos antibacterianos, anti-inflamatórios e cicatrizantes.
Essas nanopartículas apresentaram ação antibacteriana: tiveram efeito bactericida contra Staphylococcus aureus (bactéria associada a infecções de pele e feridas) e bacteriostático contra Escherichia coli (bactéria comum no intestino humano). Os testes mostraram que as partículas têm estrutura esférica, tamanho médio de 252 nanômetros e alta estabilidade química, resultado das substâncias presentes na própolis.
O trabalho contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), além do suporte técnico do Centro Multiusuário de Análise de Materiais da UFMA (CeMAM/UFMA).
Os resultados reforçam o potencial da biodiversidade amazônica como fonte de inovação científica e tecnológica, especialmente na área da saúde e biotecnologia.





