A Rede FitoAmazônia inicia a segunda etapa de publicações de seu segundo ano de atividades com mais uma importante contribuição científica do professor Emmanoel V. Costa, integrante da rede. O artigo foi publicado no Journal of the Brazilian Chemical Society (JBCS), um dos principais periódicos da área de Química no país, reforçando o compromisso da Rede FITO com a produção de conhecimento científico de excelência.
Intitulado “DFT, Docking, and Molecular Dynamics Investigation of Amazonian Alkaloids on the Dopamine D(2) Receptor Protein”, o trabalho é assinado por Jonathas N. da Silva, o autor principal; Adjane D. S. Branches; Micael D. L. Oliveira; Emmanoel V. Costa; e Kelson M. T. Oliveira. A pesquisa investiga o potencial farmacológico de alcaloides, compostos químicos naturais produzidos principalmente por plantas, provenientes da biodiversidade amazônica para atuar sobre o receptor de dopamina D2, um importante alvo terapêutico relacionado a doenças neurológicas e psiquiátricas.
Vale lembrar que vários medicamentos conhecidos têm origem em alcaloides ou foram desenvolvidos a partir deles. Alguns exemplos são:
- Morfina – analgésico potente;
- Quinina – utilizada no tratamento da malária;
- Cafeína – estimulante presente no café;
- Nicotina – encontrada no tabaco;
- Atropina – utilizada em diversas aplicações médicas.
No artigo, os pesquisadores investigaram alcaloides isolados de espécies da família Annonaceae, um dos grupos de plantas mais representativos da flora amazônica. A principal contribuição do pesquisador da Rede Fito foi disponibilizar os alcaloides utilizados no estudo, todos previamente isolados pelo grupo de pesquisa que ele coordena (GEQBiom) a partir de espécies amazônicas de Annonaceae. A colaboração também incluiu a discussão dos resultados e a interpretação dos dados obtidos por meio da química teórica, permitindo compreender melhor as propriedades e as potenciais atividades biológicas dessas substâncias.
“Nosso grupo tem uma longa experiência no isolamento e na caracterização de alcaloides de espécies amazônicas da família Annonaceae. Neste trabalho, buscamos integrar esses resultados experimentais com ferramentas de química teórica para compreender melhor o comportamento e as atividades dessas moléculas”, explica o professor Emmanoel Vilaça Costa.
Utilizando ferramentas avançadas de química computacional, os pesquisadores combinaram análises de propriedades farmacocinéticas (ADMET), molecular docking, dinâmica molecular e cálculos por Teoria do Funcional da Densidade (DFT) para compreender como esses compostos naturais interagem com o receptor D2 da dopamina. O objetivo foi identificar moléculas promissoras para o desenvolvimento de novos medicamentos voltados ao tratamento de doenças como esquizofrenia, doença de Parkinson, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e outros distúrbios associados ao sistema dopaminérgico.

Estudo aponta potencial de alcaloides amazônicos no combate a doenças como esquizofrenia e outras
Entre os principais resultados, o estudo identificou três alcaloides amazônicos — pallidine, orientaline e N-methylcoclaurine — como os compostos mais promissores. As simulações demonstraram que essas moléculas formam complexos estáveis com o receptor D2, apresentam elevada afinidade de ligação e características eletrônicas favoráveis para futuras aplicações farmacológicas. As descobertas fornecem uma base sólida para estudos experimentais e para o desenvolvimento de novos candidatos a fármacos inspirados na biodiversidade amazônica.
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